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O Massacre de Jonestown – O Maior suicídio em massa

O Massacre de Jonestown ocorrido em 18 de Novembro de 1978, onde quase mil membros (algumas fontes dizem que foram 909, outras dizem que foram 918) do Tempo do Povo sucumbiram ao suicídio por envenenamento no local onde eles acreditavam ser a “terra prometida”, Jonestown. É considerado o maior suicídio em massa da história, conduzido pelo líder religioso, e fundado do Templo do Povo, Jim Jones. O massacre de Jonestown também continua a ser a única vez na história em que um congressista dos EUA foi morto no cumprimento do dever. Conheça toda a história logo abaixo.

Jim Jones

Jim Jones

James Warren Jones nasceu em 1931 no pequeno povoado de Lynn, Indiana. Seu pai era racista e por toda vida foi membro da Ku Klux Klan, enquanto sua mãe escandalizava os habitantes locais usando calças compridas e fumando pelas ruas.

Jones casou-se com 16 anos e foi para a Universidade estudar medicina aos 18 anos. Um ano mais tarde, a deixou para fundar sua própria igreja, que posteriormente se converteria no Templo do Povo.

Embora não fosse ordenado como pastor, Jones trabalhou duramente para trazer a utopia a seu desventurado rebanho, proporcionando educação gratuita, cuidados médicos e emprego. Contrariando outro lideres de religiões, não canalizou os fundos da seita (cobravam 20% dos ganhos dos fiéis) para luxo próprio.

O preço que ele cobrava pela filantropia era a obediência total, que conseguiu por um sermão carismático, onde frisava para seus seguidos a dependência que eles tinham dele.

Mais tarde, recorreu ao terror utilizando sexo e a violência para exercer o controle sobre os membros de sua seita.

 



The Peoples Temple (O Templo do Povo)

Fundada em 1956 por Jim Jones, a Peoples Temple era uma igreja racialmente integrada focada em ajudar as pessoas em necessidade. Jones originalmente estabeleceu a Peoples Temple, em Indianapolis, Indiana, mas, em seguida, mudou-se para Redwood Valley, Califórnia, em 1966.
Jones teve uma visão de uma comunidade comunista, aquele em que todos viviam juntos em harmonia e trabalhou para o bem comum. Ele foi capaz de estabelecer isso de uma maneira pequena, enquanto na Califórnia, mas ele sonhava em estabelecer um composto fora dos Estados Unidos.
Este composto seria totalmente sob seu controle, permite que os membros do Templo do Povo para ajudar os outros na área, e estar longe de qualquer influência do governo dos Estados Unidos.

 

Religião e Política

George Moscone e Jim Jones

Jones converteu-se numa força política considerável quando o Templo do Povo começou a atrair os brancos ricos de mentalidade liberal.

Os membro do Templo do Povo votavam em quem o carismático Jones pedia, como ovelhas bem pastoreadas seguem o pastor, e assim, choviam políticos batendo a sua porta.

Em 1975, George Moscone, candidato a prefeito de São Francisco bateu a sua porta e Jones ordenou aos fiéis que votassem nele. Conseguiu ele Moscone com uma vantagem de 4 mil votos.

Moscone designou Jones como o Presidente da Comissão do Orgão de Habitação de San Francisco. Diferente de outras figuras consideradas como líderes de cultos, Jones contou com o apoio do público e contato com alguns dos maiores políticos de nível nos Estados Unidos. Por exemplo, Jones se encontrou com o vice-presidente Walter Mondale e a primeira dama Rosalynn Carter várias vezes. Governador Jerry Brown, vice-governador Mervyn Dymally, e deputado Willie Brown, entre outros, participaram de um grande jantar de homenagem em honra de Jones em setembro de 1976.

 



A outra face de Jones

Apesar de desfrutar de bom homem com políticos, nem tudo era alegria na vida de Jones. Vários desertores do alto escalão do Templo do Povo haviam revelado para a imprensa a face negra da igreja. Eles falaram que ocorriam entre outras coisas, abusos sexuais e lavagem cerebral.

Até assassinatos ocorriam. Quem quisesse deixar o Templo do Povo era assassinato. Um exemplo foi Bob Houston, um membro do Templo cujo corpo mutilado foi encontrado perto de trilhos de trem em 5 de Outubro de 1976, três dias depois de uma conversa telefônica gravada conversando com ex-mulher onde discutiam sair do Templo.

Havia até o boato de que o Congresso dos EUA iniciassem uma investigação contra o Templo do Povo.

Foi ai que a paranoia de Jones começou a se intensificar. Ele achava que o Governo do EUA o perseguia e a preparação para apocalipse (apocalipse que na verdade seria quando fosse revelado o verdadeiro Jim Jones para todo mundo, caindo por terra aquela imagem de homem santo)  converteu-se numa das características da igreja.

O apocalipse seria concretizado com um ato extremo: o suicídio revolucionário.

 

Fuga para Guiana

No outono de 1973, após críticas de jornais por Lester Kinsolving e a deserção de oito membros do Templo, Jone e o membro do Templo Tim Stoen prepararam uma “ação imediata”, um plano de contingência para responder a policia ou a repressão da mídia. O plano listava várias opções, incluindo fuga para o Canadá ou um “post missionário no Caribe”, como Barbados ou Trinidad. O Templo rapidamente escolheu Guiana. Em outubro de 1973, os diretores do Templo dos Povos aprovaram uma resolução para estabelecer uma missão agrícola lá.

Em 1974, depois de viajar para uma área do noroeste da Guiana com funcionários guianenses, Jones e o Templo dos Povos negociaram um contrato de arrendamento de uma área com mais de 3.800 acres (15,4 km²) de terra na selva localizado a 240 km a oeste da capital da Guiana de Georgetown. O local foi isolado e tinha um solo de baixa fertilidade, mesmo para os padrões da Guiana. O corpo de água mais próxima era ficava a 11 km de distância com estradas lamacentas levando até lá.

Jones resolve em 1977 partir para a Guiana, esperando assim fugir das investigações sobre os abusos descritos pelos desertores.

A viagem não foi fácil. Primeiro eles saíram de ônibus de São Francisco, na costa oeste e foram para Miami, na costa leste dos EUA. Depois pegaram o avião para Georgetown, a capital de Guiana e depois um barco que navegou por 24 horas até chegar em Port Kaituma, o lugar civilizado mais próximo de Jonestown. Literalmente eles estavam no meio do nada!

O Templo escolheu mudar-se para Guiana, um país da América do Sul, por causa das políticas socialistas do país, que se deslocavam mais para a esquerda. O ex-membro do Templo Tim Carter declarou que outras razões para a escolha da Guiana era que o Templo via uma posição dominante racista nos EUA e que no país haviam corporações multinacionais.

Carter disse que o Templo concluiu que a Guiana, um país socialista, com predominantemente indígena, e que falava inglês, proporcionaria aos membros negros do Templo um lugar tranquilo para viver. Jones também pensou que a Guiana, com um governo composto por líderes negros, era pequeno e pobre o suficiente para ele para obter facilmente influência e proteção oficial.

E mais, a localização de Jonestown foi vantajosa não só para Jones, mas para o governo da Guiana, que tinha medo de ser invadido pela vizinha Venezuela. Com o acordo, a Venezuela não estaria disposta a montar uma incursão militar na Guiana arriscando matar civis americanos. Bom para ambos os lados o acordo!

O primeiro-ministro guianês Forbes Burnham afirmou que Jones “queria usar cooperativas como base para o estabelecimento do socialismo.”

 



A Visita de Ryan que não terminou bem…

Congressista Leo Ryan

Em 14 de Novembro de 1978, o Ryan viajou para Jonestown, juntamente com uma delegação de dezoito pessoas. Jim Jones fica maluco, e pergunta se existe algum meio de deter a comitiva com o congressista, jornalista e parentes preocupados. Não havia meio, ele não tinha controle sobre eles.

No dia 17 de novembro finalmente chegaram, e foram recebidos com uma festa, onde todos pareciam muito felizes. Quando indagavam as pessoas que lá moravam se gostavam, todas respondiam sorridentes que lá era o melhor lugar do mundo, que amavam.

Então um homem entrega um bilhete escondido para um membro da comitiva e diz que quer ir embora. O congressista Leo Ryan lê e indaga Jones, que não acredita. Então outras pessoas começam a pedir para ir embora do local.

No dia seguinte, o congressista Ryan foi atacado com uma faca e resolve ir embora imediatamente do local. Eles aceitaram levar todo mundo que quis ir, inclusive Jim Layton, conhecido como “robô de Jones” e partem para o pequeno aeroporto de Port Kaituma.

Jim Jones, era paranoico e estava maluco, pois em sua cabeça ele era perseguido pelas autoridades americanas, e a visita do congressista foi a gota d´água.

Quando o grupo, composto por Ryan, os repórteres e 15 residentes, estava na pista de pouso, entrado nos dois pequenos aviões, foram surpreendidos. Eles foram seguidos secretamente durante o trajeto de 10 quilômetros, e um caminhão de Jones entra no asfalto do aeroporto e começa a atirar com armas automáticas nas pessoas.

O “robô de Jones”, Jim Layton, que já estava dentro do avião, saca uma arma e começa a atirar.

Durante 5 minutos o tiroteio continua, resultando na morte de 5 pessoas, incluindo o congressista Leo Ryan, 3 jornalistas e um dissidente.

Corpo do congressista e outras pessoas que foram atacadas por membros do Templo do Povos

 



O Suicídio em Massa

Depois do ataque ao avião e morte de 5 pessoas, resolve levar a cabo o que ele chamava de ato suicídio revolucionário final, o suicídio de todos.

Ele por diversas vezes falava para seus seguidos desse ato de suicídio revolucionário, e inclusive fazia as chamadas “Noites Brancas”, nas quais seus seguidores eram persuadidos a tomar poções “venenosas” que, na época, era bastante inofensivas, e nunca levaram ninguém a morte.

Só que dessa vez foi diferente. Pouco depois das 5 horas da tarde, ele ordenou que membros da comunidade do Templo do Povo verterem ampolas de cianureto em jarras de refresco e levou a cabo seu suicídio revolucionário.

Primeiro, ele fez os pais darem a bebida a seus filhos, que depois de algum tempo, morriam em seus braços. Essa cena durou 20 minutos de acordo com uma das únicas 3 testemunhas que sobreviveram, Odell Rhodes. Depois foi a vez dos adultos um por um tomarem o veneno e morrerem. Jones foi esperto matando as crianças primeiro, pois muitos pais estavam abalados com a morte dos filhos e tomaram o veneno. Se fizesse ao contrário, com certeza muitos não tomariam. O ato levo a morte de 909, inclusive Jones, encontrado com um tiro na cabeça. No total, 914 pessoas morreram naquele dia.

Odell Rhodes, a testemunha que escapou correu para Port Kaituma, dando o alarme ao exército da Guiana, que chegou no local 2 dias depois e se deparou com a horrível cena de centenas de corpos caídos no chão. Rhodes ficou abalado, voltou para os EUA e a heroína (ele havia sido tirado das drogas por Jones) e morreu de overdose.

Assim, dia 18 de novembro de 1978, ocorreu a maior perda de vidas de civis norte-americanas em desastres não naturais até os ataques de 11 de setembro e o pior suicídio em massa dos tempos modernos.

Existe um áudio de 44 minutos, chamado de “death tape”,  contendo parte do discurso que Jones fez para os fiéis antes do assassinato. Para ouvir clique aqui.

Atualmente nada mais resta do acampamento. A selva amazônica retomou a área e os índios nativos recolheram os materiais das construções.

 



Fotos (imagens fortes)

 



Ficou curioso? Quer saber mais? Então confira abaixo o documentário a respeito do Massacre de Jonestown.


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Bruno Lima

Estudante de Ciência da Computação. Desde de pequeno sou apaixonado pelo gênero do terror, por isso trago como missão para esse blog sempre estar trazendo conteúdos de qualidade, que faça com que o leitor sinta aquele frio na espinha. =D

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