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O mistério das cabeças encolhidas (com documentário)

Nas florestas da parte oriental da América do Sul vive uma tribo de aborígines chamada Jivaros, que se dividem em Achuar-Shiwiar (Peru); Aguaruna (Peru); Huambisa (Peru) e Shuar (Equador). São ferozes guerreiros que ficaram famosos no mundo inteiro por seu estranho hábito de degolar seus inimigos e de usar estas cabeças como amuletos. Ainda hoje, estes índios são completamente selvagens e não mantém contatos com o homem branco. O próprio governo do Equador, os ignora, afinal eles vivem completamente isolados no meio da floresta.Os Jivaros possuem uma estatura média, corpo robusto, rosto redondo, e olhos negros. Os homens usam cabelos longos, vestem uma tanga e usam um estilete de bambu atravessado nos lóbulos das orelhas. As mulheres tem cabelos longos, e usam um adorno no lábio inferior confeccionado de bronze. Ambos possuem lábios muito negros, em virtude de mascarem uma erva chamada Yanamuco. Os homens são bígamos; além de sua mulher ficam com mulheres capturadas nas guerras.

Membros da tribo segurando o troféu de guerra

O contexto histórico mostra alguns dos motivos que levavam essas pessoas a produzirem as cabeças, e o que anteriormente era baseado em uma antiga crença chegou a ser objeto comercial em determinado momento. Segundo o site How It Works, há registros de que esses objetos foram produzidos ainda durante grande parte do século 20.

A crença dos Jivaro dizia que existia um espírito vingativo que habitava o corpo humano, chamado muisak. Assim, os inimigos mortos deviam ter suas cabeças decepadas e transformadas nas “tsantsas”, como são conhecidas as cabeças encolhidas pelos integrantes da tribo. Isso, segundo a crença desse povo, bloquearia o espírito de usar os seus poderes e daria o controle da alma quando uma pessoa fosse assassinada.

Os guerreiros acreditavam que também estariam mostrando aos seus antepassados que estavam honrando a sua obrigação de conter a vingança de sangue. Para os inimigos, as tsantsas serviam para mostrar que os Jivaros eram guerreiros cheios de habilidade. Após as batalhas, muitos combatentes chegavam a carregar as cabeças encolhidas no pescoço.

 



 

Costumes e culto

Se uma mulher é pega em adultério, todo o seu cabelo é raspado. Na segunda a mulher é presa ao chão por uma lança que lhe atravessa a carne, e ali permanece por vários dias, sendo alimentada e vigiada. Apesar do sofrimento, ela não chega a morrer. Se cometer adultério pela terceira vez, ela será executada.

Os Jívaros, usam em suas flechas o veneno Curare, com o qual caçam e matam. Na caça, após o animal envenenado cair ao chão, o índio Jívaro coloca na boca do animal, uma mistura de ervas com sal que impede que seja envenenado quando consumir aquela carne. Na pesca, usam a droga denominada Barbasco, que é lançado no rio, e logo a seguir faz com que os peixes comecem a boiar, para serem apanhados manualmente.

Os Jívaros adoram o demônio chamado IUANCHI, conhecido pelos espanhóis por EL DIABLO IAUNCHI. Estes índios tem um deus do Bem chamado YUSA, mas seu temor por IUANCHI, os obriga a fazer sacrifícios e rituais sangrentos.

Quando um JÍVARO quer resolver algum problema íntimo, ou obter alguma resposta, ele consulta o IUANCHI. A princípio, ele entra no meio da floresta, fica o mais isolado possível e se prepara para invocar o espírito. Ingere o suco de ervas tóxicas que em poucos minutos faz com que tenha terríveis alucinações. Deste estado alterado de consciência surge um diálogo com IUANCHI, e outros demônios e duendes. E dos pensamentos e idéias atormentados pela droga surge a convicção da solução do problema, que será seguida até a morte. Os feiticeiros que servem a IUANCHI são chamados de Bishinios, estes exercem forte influência em todos os membros da comunidade. Os Bishinios, cortam as cabeças dos sacerdotes de outras tribos e as usam como amuletos para aumentarem seus poderes.

Em suas guerras, eles matam os homens e capturam as mulheres e crianças.

 



A comercialização das cabeças (tsantas)

Apesar de passarem por um trabalhoso ritual de preparo e cozimento para serem transformadas nas tsantsas, as cabeças não eram preservadas por muito tempo. Após as celebrações finais, muitas eram descartadas, sendo que no início serviam de alimento para animais ou de brinquedo para as crianças. Porém, em determinado momento, os objetos míticos foram descobertos por turistas que se fascinaram e passaram a adquiri-los como souvenir.

Do final do século 19 até o começo do 20, esse cenário teve um crescimento e fez com que as tribos passassem a matar pessoas para confeccionar as tsantsas a fim de trocá-las por outros objetos, como armas e facas. Nesse momento havia exemplares feitos a partir de cabeças de macaco e obtidas junto a necrotérios.

Muitos colecionadores exóticos gastam uma fortuna para conseguir uma destas cabeças. Isto incentivou alguns aventureiros brancos a conquistarem a confiança dos Jívaros para poderem aprender este processo de mumificação de cabeças. Estes gananciosos começaram a atacar viajantes, os matavam, encolhiam suas cabeças e as vendiam no mercado negro para colecionadores. Enquanto que os índios levavam a culpa destas mortes.

E foi por este motivo que os Jívaros ficaram sendo conhecidos internacionalmente. Houve época que no interior do Equador e Peru, as pessoas tinham medo de andar nas ruas mais desertas. Este pavor foi contornado quando autoridades eclesiásticas católicas, (Afinal Peru e Equador são países católicos), ameaçaram excomungar os comerciantes, caçadores, ou quem quer que seja que possuísse um destes tenebrosos amuletos.

E esta medida deu certo, logo o tráfico cessou e as cabeças sumiram do mercado. Mesmo assim existem fanáticos colecionadores que pagariam muito por uma cabeça encolhida original.

 



O ritual para encolher as cabeças

Logo que o inimigo é posto no chão, ele é morto com uma flecha que não está envenenada. Em seguida o Jívaro o segura pelo cabelo, e com uma faca curta, feita de bambu, corta-lhe os músculos do pescoço, e as vértebras com uma habilidade cirúrgica e num instante a cabeça é separada do corpo.

Depois ela é levada cuidadosamente até que todos se reúnam em torno de uma fogueira.

E o ritual inicia-se com a participação reservada para os homens da tribo. As mulheres apenas servem bebidas aos homens.

Então é retirado do crânio os miolos, músculos, olhos, língua, em seguida ele é colocado em uma estaca. O crânio é lavado em água e depois molhado em azeite de urucu, em seguida colocado ao sol para secar.

Durante vários dias se repete o processo de lavar a cabeça e coloca-la para secar.

Depois em um total endurecimento do crânio, ele o enche com algodão, coloca-lhe olhos feitos de resina, põem-lhe dentes e cabelos fixados com resinas. Os ornamentos são feitos com penas.

Existe uma outra variação do processo, onde o índio mata seu inimigo, corta sua cabeça, coloca-a num extrato vegetal de Yanamuco, que lhe da uma coloração negra e a conserva da ação do tempo.

Reunido com os homens da tribo; ele retira do crânio os miolos, músculos, olhos, língua. Depois a cabeça é preenchida com areia e seixos quentes, que são substituídos diariamente em um processo que dura dias.

Ambos processos fazem com que as células que compõem a parte óssea do crânio se quebrem e se contraiam a tal ponto de realmente diminuir o tamanho da cabeça. Em alguns casos o crânio chega a diminuir 50% de seu tamanho, e curiosamente através da regulamentação da contração da pele, os traços fisionômicos se mantém quase que perfeitos.

Abaixo você pode ver o documentário de 1984 em inglês onde se mostra o processo de encolhimento das cabeças…

Fontes: Assombrado / Megacurioso / Paixão Assassina /


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Gabriel Sarzi

Estou na blogosfera ha mais de 8 anos. Sou estudante de Analise e Desenvolvimento de Sistemas e apaixonado por filmes, séries, games e tecnologia. Confira todas as minhas postagens abaixo:

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